Os Boiadeiros são espíritos de pessoas que, em vida, trabalharam com o gado, como peões, vaqueiros e tropeiros. A sua presença na Umbanda, especialmente a partir da década de 1950 com a migração nordestina para o Sudeste, ressignificou a figura do sertanejo e a incluiu no panteão umbandista como um meio de inclusão social e preservação cultural.
Força e Proteção: São vistos como guias de muita força física e espiritual, que vêm para “laçar” e reconduzir os espíritos perdidos (“eguns”) e desequilibrados, trazendo-os de volta ao caminho do bem.
Cura e Abertura de Caminhos: Trabalham espiritualmente para a saúde, limpeza espiritual e abertura de caminhos, utilizando sua energia desbravadora para ajudar os consulentes a superar obstáculos.
Características de Incorporação: Durante a incorporação, apresentam-se com gestos que remetem ao trabalho com o gado, como agitar os braços como se estivessem com um laço, e frequentemente utilizam chapéus de couro, gibões, berrantes e chicotes como símbolos de sua identidade.
Saudação: A saudação comum para os Boiadeiros é “Marrumbá chetuá, Boiadeiros!” ou “Chetuá, marrumbá Chetuê!”.
Sincretismo
O sincretismo religioso na Umbanda é um legado da resistência cultural dos africanos escravizados, que precisavam disfarçar seus cultos com figuras católicas para preservar suas crenças.
São Judas Tadeu: O sincretismo mais difundido para os Boiadeiros é com São Judas Tadeu, cujo dia é comemorado em 28 de outubro.
Outras Associações: Eles atuam, tradicionalmente, nas linhas de Orixás como Oyá Tempo, Ogum, Xangô e Oxalá, que regem a fé e a justiça. Em algumas casas, a festa dos Boiadeiros também pode ser celebrada em 2 de julho.