Entidade

Exus e Pomba Giras

Tudo sobre os Exus e Pomba Giras

Quem são os Exus e Pomba Giras?

Na Umbanda, Exu e Pomba Gira são espíritos guardiões da chamada "linha de esquerda", que trabalham na proteção, na abertura de caminhos e no equilíbrio das energias. Exu, o arquétipo masculino, é um mensageiro e força, enquanto Pomba Gira, seu feminino, é associada à liberdade, autoconhecimento, sensualidade e empoderamento. Ambos auxiliam no que é mais denso e difícil da vida, como relacionamentos e questões sentimentais, sempre dentro da lei espiritual.

Importância e Contexto

A importância dessas entidades reside em suas funções vitais para o funcionamento do terreiro e o desenvolvimento dos praticantes:

Guardiões e Protetores: Eles são os “guardiões dos caminhos”, protegendo os terreiros e seus membros de energias negativas e desfazendo “demandas” (trabalhos negativos).

Intermediários e Comunicadores: Atuam como mensageiros entre os Orixás e os seres humanos, garantindo que as comunicações espirituais fluam corretamente.

Transmutadores de Energia: Trabalham com energias densas, ajudando a equilibrar e limpar o ambiente e as pessoas, transformando o que é negativo em aprendizado e evolução.

Conselheiros e Guias: São conhecidos por serem astutos e por terem um vasto conhecimento da natureza humana e de suas más intenções. Oferecem conselhos diretos e práticos sobre a vida, paixão, conflitos emocionais e desafios diários, guiando os iniciantes e consulentes em suas jornadas.

Promotores do Movimento e da Ordem: Exu é frequentemente associado ao movimento, à ordem e à disciplina, garantindo que a vida e a espiritualidade não fiquem estagnadas. 

 
Contexto Histórico e Social
O contexto de Exus e Pombagiras na Umbanda é marcado pela assimilação cultural e pela ressignificação de conceitos africanos no Brasil:
  • Origem Africana: A palavra Exu tem origem no Orixá Èsù da cultura Iorubá, que é o senhor da comunicação, das encruzilhadas e das múltiplas possibilidades. A palavra Pombagira é uma assimilação linguística da língua quicongo, que se refere a uma divindade ou espírito, e não tinha originalmente o significado que tem hoje na Umbanda.
  • Ressignificação na Umbanda: Na Umbanda, Exu e Pombagira são vistos como espíritos humanos (eguns) que, em vida, muitas vezes viveram à margem das convenções sociais, como cortesãs, boêmios, ou indivíduos que desafiaram a moral vigente. Essa origem lhes confere a capacidade única de entender as fraquezas, os desejos e as transgressões humanas sem julgamento.
  • Superação do Preconceito: Historicamente, essas entidades foram estigmatizadas e associadas a figuras malignas devido a interpretações errôneas e ao preconceito religioso. No entanto, dentro da teologia da Umbanda, elas são vistas como entidades de luz que utilizam sua sabedoria mundana para auxiliar na evolução espiritual, desafiando a ordem patriarcal e a moralidade restritiva.
  • Complementaridade: Exus (masculino) e Pombagiras (feminino) representam a dualidade e o equilíbrio das forças da natureza e do sagrado, trabalhando juntos para o bem-estar e o crescimento espiritual dos fiéis. 

Significado e Sincretismo

O sincretismo na Umbanda é a associação de entidades e orixás a santos católicos, uma prática que historicamente permitiu aos povos escravizados manterem sua fé disfarçada sob o catolicismo imposto. 
No caso específico de Exus e Pombagiras, o sincretismo é o seguinte:

Exu é frequentemente sincretizado com Santo Antônio. Essa associação se deve a certas semelhanças simbólicas e atributos, como o fato de ambos serem figuras populares, ligados à comunicação e caminhos, e, em algumas interpretações, ao elemento fogo.

Pombagira, embora a figura não seja diretamente sincretizada com uma santa católica específica da mesma forma que os orixás, a entidade muitas vezes alude a figuras como rainhas ou mulheres livres (como na representação da Maria Padilha de Castela com traços ciganos). 

É importante notar que, na Umbanda, Exu e Pombagira são vistos como guias e trabalhadores espirituais (entidades) que auxiliam os médiuns em sua evolução e na ajuda às pessoas, atuando como intermediários e guardiões. Eles não são demônios, como a demonização promovida por algumas vertentes neopentecostais sugere, uma ideia que se distancia da visão original das religiões afro-brasileiras. 

Características e Qualidades

Exus são entidades predominantemente masculinas que representam a vitalidade, a ancestralidade e o crescimento. 

Função de Intermediação: São os mensageiros entre os Orixás e os seres humanos, essenciais para a comunicação e o fluxo de energias.

Guardiões: Atuam como protetores de caminhos, rituais e terreiros, guardando as “porteiras” espirituais e físicas.

Equilíbrio e Justiça: Trabalham para manter o equilíbrio energético e a justiça, lidando com situações que envolvem a lei do retorno e a ordem.

Resolução de Problemas: São frequentemente invocados para auxiliar na resolução de problemas práticos e questões cotidianas.

Aparência e Elementos: Suas cores principais são o vermelho e o preto, e estão associados aos elementos fogo e terra. 

 
Características e Qualidades das Pombagiras
Pombagiras são as entidades femininas da esquerda, muitas vezes referidas como o “lado feminino de Exu” ou “Exu-Mulher”. 
  • Empoderamento e Independência: Representam a força feminina, a sensualidade (de forma não pejorativa) e a independência, inspirando a autenticidade e o poder pessoal.
  • Sabedoria e Astúcia: São astutas, conhecem as intenções humanas e oferecem conselhos diretos e, por vezes, desafiadores, sobre a vida e os relacionamentos.
  • Transformação e Cura Emocional: Trabalham com a transmutação de energias densas, ajudando a superar traumas, vícios e a recuperar o amor-próprio.
  • Linguagem Coloquial: Costumam se comunicar de maneira extrovertida e com uma linguagem mais acessível, usando gírias e expressões provocantes.
  • Aparência e Elementos: Têm forte ligação com o fogo e o ar, e suas guias e vestimentas também predominam o vermelho e o preto. 
Em suma, ambas as entidades são forças de luz que lidam com as dualidades da vida (luz e sombra, material e espiritual), ensinando através do movimento e da ação, e servindo como guias essenciais para o crescimento espiritual dos praticantes. 

Culto e Celebrações

Exus e Pombagiras são considerados guardiões, mensageiros e a “polícia” dos terreiros, responsáveis por conduzir energias densas, desfazer demandas (trabalhos negativos) e abrir caminhos. 
  • Dia da Semana: A segunda-feira é o dia tradicionalmente dedicado a essas entidades, com as atividades (giras) ocorrendo preferencialmente após o pôr do sol.
  • Objetivo: As giras de Exu e Pombagira visam a proteção, o descarrego e a caridade através de passes e consultas, onde as entidades, incorporadas nos médiuns, oferecem orientação e cura.
  • Atmosfera: Diferentemente do que o senso comum pode sugerir, esses cultos são demonstrações de alegria, fé e gratidão. O ambiente é de muito respeito e energia firme.
  • Vestimenta: Em muitos terreiros, é solicitado que os participantes evitem roupas curtas, decotadas ou excessivamente escuras por respeito ao ambiente sagrado. 
 
Datas Específicas e Locais
Além das giras semanais, existem datas festivas anuais, embora o calendário possa variar: 
  • A obrigação anual do Orixá Exu e da falange de Exus e Pombagiras é frequentemente celebrada em 15 de agosto.
  • Algumas cidades ou terreiros podem ter datas específicas, como o dia 9 de março para a Pombagira Soberana Maria Padilha em Porto Alegre. 

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